Flávio Maluf e a estratégia de exportação que levou a Eucatex a mais de 40 países

Quando Flávio Maluf ingressou na Eucatex em 1987, a primeira função que assumiu foi na área de exportação e importação. Três décadas depois, a empresa que ele preside desde 1997 exporta para mais de 40 países, mantém uma subsidiária sediada na Flórida para atender o mercado norte-americano e gera aproximadamente 25% de sua receita fora do Brasil. A trajetória não foi linear, mas a direção foi consistente.
O ponto de partida é o que ele revela
Começar na área de comércio exterior antes de migrar para a operação industrial não é um detalhe biográfico menor. É o ponto de partida de uma visão sobre o que a Eucatex poderia ser: uma empresa industrial brasileira com escala de produto e padrão de qualidade para competir em mercados que exigem rastreabilidade, consistência nas especificações e relacionamento comercial de longo prazo. Flávio Maluf carregou essa perspectiva para dentro da operação e, mais tarde, para a presidência.
O mercado exportador é exigente de forma específica. O cliente doméstico tolera variações que o cliente internacional não tolera. Os padrões técnicos variam de região em região. Os prazos são mais curtos do que parecem à distância. Entrar em um mercado externo e permanecer nele são tarefas de dificuldades radicalmente diferentes. A Eucatex permanece em seus principais mercados há décadas. Isso não acontece por impulso inicial.
Eucatex North America é o mercado dos Estados Unidos
Os Estados Unidos são o principal destino das exportações da Eucatex. Para atender esse mercado com a consistência que ele exige, a empresa mantém a Eucatex North America, subsidiária sediada na Flórida. A Eucatex North America é a interface direta entre o produto industrial fabricado em Salto, Botucatu e Cabo de Santo Agostinho e o ritmo de compra, os padrões técnicos e as exigências de entrega do mercado americano.
Pisos laminados e painéis vendidos nos Estados Unidos precisam atender a padrões de emissão, de resistência à umidade e de classificação de uso que diferem dos padrões brasileiros. A adaptação de produto para o mercado externo é um trabalho de engenharia aplicada ao portfólio, não um ajuste de embalagem. Ter uma subsidiária local significa ter alguém que conhece essas exigências de dentro, não de um escritório em São Paulo. Significa também capacidade de resposta comercial, com o fuso horário adequado e na língua do cliente.
40 países e a lógica da diversificação geográfica
Exportar para mais de 40 países, com aproximadamente 25% da receita total gerada fora do Brasil, cria uma estrutura de receita que reduz a dependência do ciclo doméstico. Quando o setor brasileiro de construção civil recua, o desempenho exportador pode compensar parte da pressão sobre o resultado consolidado.
Essa diversificação não acontece automaticamente. Ela exige certificações por mercado, relacionamentos com distribuidores locais, adaptações técnicas por destino e capacidade de atender pedidos com regularidade ao longo do tempo. A Europa, os Estados Unidos e os mercados da América Latina têm calendários de compra, padrões técnicos e expectativas de serviço distintos. A Eucatex atende a todos eles, com produção concentrada em três unidades industriais no Brasil.
O custo dessa abrangência é operacional: complexidade do mix, demanda por flexibilidade de linha e necessidade de manter certificações que variam conforme o destino. O benefício é estrutural: uma base de receita menos dependente de um único mercado ou de um único ciclo econômico. Para uma empresa com receita de R$ 3,1 bilhões em 2025, esse equilíbrio impacta diretamente a estabilidade do resultado.
A certificação FSC como credencial de exportação
A Eucatex mantém certificação FSC desde 1996. Essa certificação funciona como credencial de acesso em mercados europeus e norte-americanos, onde a rastreabilidade da cadeia produtiva é uma exigência de compra, não um atributo diferencial. Varejistas de materiais de construção nesses mercados não fazem pedidos de produtos sem garantia verificável de origem da madeira.
Flávio Maluf assumiu a presidência da Eucatex um ano após a empresa obter a certificação FSC. Mantê-la por quase trinta anos exige consistência no manejo florestal que vai além do que um ciclo de auditoria exige. Para o mercado externo, essa continuidade tem valor prático: é a prova de que a credencial não foi obtida para uma negociação específica e abandonada depois.
O próximo passo geográfico
O capex previsto para 2026 é de aproximadamente R$ 500 milhões, com possíveis aquisições no Brasil ou em mercados vizinhos, como a Argentina. Para uma empresa com a infraestrutura exportadora que a Eucatex já construiu, a diferença entre exportar para um mercado e ter produção local nele é relevante em termos de custos logísticos, velocidade de entrega e capacidade de competir no varejo local com preços competitivos.
Exportar resolve o acesso. Produzir localmente melhora a competitividade em termos de custos. A Eucatex já realizou a primeira parte em escala, com presença comercial em mais de 40 países e uma subsidiária operacional nos Estados Unidos. O movimento de 2026 pode indicar que a segunda parte está em estudo para pelo menos um mercado fora do Brasil.
Flávio Maluf construiu essa presença internacional ao longo de quase três décadas à frente da empresa. O próximo passo geográfico, se executado, seria a extensão natural de uma estratégia que começou antes mesmo de ele assumir a presidência, na mesma área de exportação em que entrou em 1987.




